sábado, 2 de novembro de 2013

Soneto XXXII de Cláudio Manuel da Costa

SONETO XXXII

Se os poucos dias, que vivi contente,foram bastantes para o meu cuidado,
que pode vir a um pobre desgraçado, que a ideia de seu mal não acrescente!

Aquele mesmo bem, que me consente, talvez propício, meu tirano fado,
esse mesmo me diz que o meu estado se há de mudar em outro diferente.

Leve, pois, a fortuna os seus favores; eu os desprezo já; 
porque é loucura comprar a tanto preço as minhas dores:
se quer que me não queixe a sorte escura,
ou saiba ser mais firme nos rigores,
ou saiba ser constante na brandura. 

Cláudio Manuel da Costa



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